A espiritualidade do ministro é um exercício diário para evitar uma atuação de forma mecânica. Ela aquece o coração, alimenta a alma, além de incentivar uma intimidade mais profunda com o Cristo ressuscitado presente na Eucaristia. Procede, também, a um melhor entendimento do que significa exercer esse ministério infundindo uma alegria profunda pelo serviço. Cria ainda uma condição para a vivência das virtudes teologais da fé, da esperança e da caridade.

Durante a preparação dos candidatos, busca-se incutir neles um “despertar”da consciência sobre a Eucaristia enquanto Sacramento e como deve desenvolver-se o espírito de serviço para o qual foram convidados.

Esse “despertar” inicia-se a partir da necessidade de viver o Sacramento da Eucaristia com profundidade para que assim seja manifestado exteriormente um testemunho pessoal expresso em atitudes e ações. O ministro precisa deixar transparecer a fé na presença real de Cristo na Eucaristia. Orienta-se ao ministro participar da Eucaristia com a maior frequência possível. Ela nutre a esperança. A Eucaristia é o centro deste ministério.

Porém, muitas são as situações que podem fazer vacilar a fé, que precisa ser constantemente fortalecida. E só há uma maneira, através da oração, que deve ser contínua, evitando-se as distrações, o cansaço, a rotina, o desânimo, pois é na oração que se encontrará força para levar a cabo o que o Senhor nos pede. Muitas das dificuldades desaparecem quando a pessoa se coloca na presença do Senhor. Para Santa Tereza D’Ávila perder o caminho não é senão abandonar a oração. Segundo ela, a oração não é uma questão de falar ou de sentir, mas de amar.

Tendo a sua fé fortalecida pela oração, o ministro deve, também, dedicar-se à adoração ao Santíssimo Sacramento, pois a proximidade com Cristo deve ser um sentido para sua vida. O tempo passado em oração na presença do Santíssimo Sacramento alimenta a espiritualidade eucarística e ajuda a cultivar uma devoção e um respeito mais profundo pela missa e pela sagrada comunhão. Orienta-se participar pelo menos uma vez por semana, preferencialmente, às quintas-feiras, às 21h, quando esta é celebrada em nossa paróquia, na maioria das vezes, tendo os irmãos da “Fraternidade O Caminho” na condução, com uma presença maciça de jovens. É um dia onde se percebe o quanto a Igreja é viva.

Com o coração inflamado é preciso seguir os passos do Senhor, procurando encontrar, em cada irmão, o rosto de Cristo, como nos ensina Santa Terezinha do Menino Jesus, que, apesar do pouco tempo de vida (24 anos), afirmava que somente Cristo é capaz de transformar a amargura, que às vezes se instala no coração, em doçura. O ministro é chamado a experimentar sua caridade, sua solidariedade, numa partilha daquilo “que é” e daquilo “que possui” em favor do próximo, como nos apresenta o evangelista Lucas em Lc 10, 29-37.

Muitas vezes há a necessidade de ser ouvinte, quando, então, acontece a partilha da presença. Outras vezes é a Palavra de Deus que precisa ser partilhada. Há ainda situações em que uma percepção da necessidade do pão de cada dia expresso na falta de alimento e talvez de medicamentos exija uma atitude do ministro no sentido de buscar meios para amenizar a situação numa partilha material. No entanto, a principal partilha acontece quando a comunhão é distribuída, pois neste momento acontece a partilha do Pão Eucarístico, a esperança e o alimento de que precisam para “prosseguir” na vida com, pelo menos, um pouco de paz e tranquilidade, conforme Jo 6, 50: “Eu sou o Pão Vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá para sempre. O pão que eu darei é a minha carne para a vida do mundo.”.

Independente de onde o ministro esteja atuando, dentro ou fora da igreja, acontece sempre uma celebração. E muitas são as formas de celebração que o ministro precisa estar preparado a realizar, seja ao levar a comunhão ou pela ausência de um ministro ordenado (diácono, padre ou bispo): celebração da palavra, batismo de urgência, exéquias, bênçãos, etc. Pois é também um ministério de celebração.

Vivenciando sua espiritualidade, o ministro se entende um instrumento nas mãos de Deus, alimenta-se com a Eucaristia, confirma sua fé, mantém viva sua esperança na plenitude da vida e vive, com profundidade, o seu batismo, quando se tornou filho(a) de Deus, membro da Igreja e templo do Espírito Santo, cuja graça recebida o capacita a ser sacerdote, profeta e rei num compromisso constante de construir o Reino de Deus, um reino de justiça e de paz, onde quer que ele esteja e com os quais conviva. Um ministro da evangelização.

Embora a evangelização seja o propósito final da Igreja, conforme nos ensina o evangelista Mateus no versículo 19 do capítulo 28: “Ide, portanto, e fazei que todas as nações se tornem discípulos, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”, a visitação é que, de fato, coloca o ministro em movimento, quando então estará levando a comunhão aos irmãos que não podem ir à Igreja para recebê-la por um motivo de enfermidade ou dificuldade diversa, seja na casa da pessoa ou em um dos três hospitais (Hospital Municipal, Hospital São Lucas, Hospital São Vicente) presentes na área de atuação da paróquia. A visita deve ser semanal, preferencialmente aos domingos e segue um ritual: começando pelo contato com a pessoa por quem se está ali, a distribuição da comunhão em si, alguns minutos de uma conversa amistosa, uma bênção informal e a despedida. Nos hospitais o Ministério Extraordinário da Sagrada Comunhão alinha-se à Pastoral da Saúde em que a visitação se torna terreno comum a ser percorrido.

Neste ponto, o Ministério Extraordinário da Sagrada Comunhão faz eco às palavras do Papa Francisco, quando de seu pronunciamento aos jovens argentinos, durante a Jornada Mundial da Juventude – JMJ 2013, no Rio de Janeiro: “…quero que a Igreja saia pelas estradas, quero que nos defendamos de tudo o que é mundanismo, imobilismo, nos defendamos do que é comodidade, do que é clericalismo, de tudo aquilo que é viver fechados em nós mesmos. As paróquias, as escolas, as instituições são feitas para sair; se não o fizerem, tornam-se uma ONG e a Igreja não pode ser uma ONG. Que me perdoem os Bispos e os sacerdotes, se alguns depois lhes criarem confusão. Mas este é o meu conselho. Obrigado pelo que vocês puderem fazer”.

Por Diácono José Alvaro Pimenta
Diácono Permanente da Catedral Valadares

Fonte Internet: http://catedralvaladares.org.br/

Oração do Ministro Extraordinário da Comunhão Eucarística

Senhor, a igreja me confiou o Ministério Extraordinário da Sagrada Comunhão. Constituiu-me servidor da comunidade, em Assembléia Litúrgica, que compartilha a mesa fraternal da comunhão, na consolação dos enfermos, anciãos e impedidos para que se fortaleçam com o Pão da Vida. Eu sei, Senhor, que é, em primeiro lugar, um serviço. Porém, intimamente, o descubro como uma honra: Por meu intermédio e através de minhas mãos, faço possível a comum-união de meus irmãos Contigo, no Sacramento do teu Corpo e do teu Sangue. Por isso, Senhor consagro-te meu ser, meu corpo e meu coração para ser tua testemunha leal. Não quero, Senhor, que minha vida seja um obstáculo entre meus irmãos e teu ministério. Quero ser uma ponte, quero ser como duas mãos estendidas… Peço tua ajuda, de modo que eu seja um cristão ansioso de tua Palavra, uma pessoa de oração e de reflexão, um contemplativo de teus mistérios; um celebrante feliz de teus sacramentos e um servidor humilde de todos os meus irmãos. Que quando eu disser: “O Corpo de Cristo” , eu desapareça e se veja teu rosto. Amém!

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