A partir da década de 60 surge, no Brasil, com o biblista Frei Carlos Mesters, uma forma diferente de educação e evangelização cristãs. Trata-se dos círculos bíblicos também chamados grupos de reflexão. É um novo modo de ser Igreja que consiste na formação de redes de comunidades. O grupo busca testemunhar a oração, a fraternidade e a missão. Reúne-se ao redor da Palavra de Deus: “farol de seu caminho” (Conferência de Aparecida, 180).

Importância

A Igreja é viva enquanto cada um de nós, como batizados, põe-se a construir o Reino como discípulo e missionário de Jesus Cristo. Nesta construção comum, encontramo-nos em ambiente acolhedor em que todos são valorizados como aprendizes e educadores. O grupo se reúne em espírito de família e reflete o próprio caminho de acordo com os apelos de Deus contidos na Palavra. Dessa forma, o círculo bíblico é uma catequese permanente de adultos. Ele propicia, através da escuta atenta e orante da Palavra, uma atitude de sabedoria frente à vida. Sábio, nesse caso, é todo aquele que percebe Deus em cada pessoa e age em defesa da vida humana a exemplo do Divino Mestre Jesus.

Método

O encontro de Jesus com os discípulos de Emaús (Lc 24, 13-35) é um modelo de círculo bíblico. Neste relato, percebem-se alguns passos que compuseram o caminho daqueles com o Ressuscitado: a realidade, as Escrituras, a vivência fraterna, a celebração e o anúncio. Primeiramente, Jesus caminha com os discípulos desanimados e pergunta-lhes o que aconteceu. Os discípulos são convidados a VER a realidade vivida pessoal e comunitariamente. Em seguida, Jesus interpreta os fatos da vida a partir das Sagradas Escrituras. Quem segue o Cristo é cheio de esperança, pois ILUMINA a vida na experiência de Deus, em atitude de fé que se realiza na caridade. Além disso, os discípulos de Emaús reconhecem o Ressuscitado na partilha do Pão. No círculo bíblico, faz-se festa, CELEBRA-SE a presença de Deus na vida da comunidade. É na experiência do Ressuscitado que os seguidores revigorados saem a fim de anunciarem a boa notícia. Anúncio que renova a vida de todos. O cristão é provocado a AGIR em favor de seus irmãos, de forma preferencial, do mais pobres para que “todos tenham vida em abundância” (Jo 10,10). Porém como nem sempre somos atentos aos clamores de Deus e do outro, precisamos AVALIAR nossas ações de modo a discernir se elas contribuíram ou não para a comunhão entre o Povo de Deus.

Profecia

O círculo bíblico é um grito profético de humanidade que ecoa das casas, das famílias e repercute na Igreja local e nacional. De fato, em tempos de individualismo e consumismo, em que as relações são superficiais, e a experiência de Deus marcada, muitas vezes, apenas pelo sentimentalismo, o testemunho de uma comunidade aberta e servidora ressoa forte. Isto porque, a exemplo do mistério trinitário, fonte de comunhão, o grupo busca caminhar unido. União nas diferenças, já que o ideal é o mesmo e, no entanto, cada um possui realidades distintas o que provoca, por vezes, conflitos e divisões. Enfim, o círculo bíblico é um modo de construir ativamente a Igreja e a sociedade que todos desejam na presença Daquele que faz o nosso coração arder!

Ir. Luís Vicente – Estudante de Filosofia – BH

Fonte Internet: http://santamargaridamaria.com.br/

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