‘Se, pois, houver irmãos que quiserem ir para entre os sarracenos e outros infiéis, que vão com a licença de seu ministro e servo… E os irmãos que partirem poderão proceder de duas maneiras espiritualmente com os infiéis: O primeiro modo consiste em se absterem de rixas e disputas, submetendo-se “a todos os homens por causa do Senhor” e confessando serem cristãos. O outro modo é anunciarem a palavra de Deus quando o julgarem agradável ao Senhor’
(Regra Não Bulada 16,3 e 6-8).

São Francisco aspirou ser missionário. Santo Antônio fez-se franciscano a partir do testemunho e do martírio de alguns frades que tinham sido enviados em missão… Portanto, a missão é uma característica fundamental do carisma franciscano.

São Francisco mesmo é quem ensina como os seus irmãos devem ser missionários (veja texto acima).
Seguindo o Cristo, que colocou sua morada no mundo, os franciscanos são chamados a viver seu carisma entre todos os homens e estarem atentos aos sinais dos tempos como instrumentos de Justiça e Paz. (RFF, 32).

Fiéis à própria vocação, os franciscanos encarnam-se em situações concretas do povo com quem vivem, descobrem nele os diversos rosotos de Cristo e nele encontram a forma adequada de vida. (RFF, 33).

A família franciscana é em si missionária (*)

Costuma-se fazer distinção entre “institutos missionários”, dedicados exclusivamente à atividade missionária, fundados para este fim, e outros institutos que – além de suas tarefas pastorais ordinárias -, assumem também certas obras ou atividades missionárias. Esse tipo de distinção, porém, parece representar uma noção muito estreita do conceito “missão”, por ser aplicável unicamente àquelas atividades que se concentram em países longínquos, na tentativa de converter seguidores de outras religiões e crenças ao cristianismo.

É verdade que um engajamento missionário entre outros povos e outras culturas continua tendo o seu valor, mesmo se os tempos e a interpretação do sentido de  “missão” já tenham mudado de conteúdo.  Convém relembrar, todavia, que justamente, para Francisco, o sentido da missão era muito mais amplo, significando o fato de dar um testemunho de vida, tanto aqui como acolá; anunciando a Palavra – também tanto por perto quanto ao longe – se assim for agradável a Deus. Resumindo: o movimento franciscano é essencialmente  missionário por natureza.

Esta nova compreensão conciliar da missão, assumida por todos os ramos da família franciscana após o Vaticano II, se reflete igualmente nos mais recentes documentos missionários. Se, a seguir, iremos citar alguns trechos representativos destes documentos, é porque fazemos questão de frisar que se trata sempre do movimento franciscano em sua totalidade. Pois,  por causa da riqueza e quantidade de documentos significativos para mulheres e homens que pertencem aos mais variados ramos da  família franciscana, não é possível citar exaustivamente todas as contribuições valiosas que existem. Vejamos apenas alguns exemplos:  “Toda a nossa fraternidade é missionária, e todo irmão compartilha esta vocação missionária” (Medellín 1971, 2).

“Toda vocação franciscana é essencialmente missionária. O projeto de vida evangélica de Francisco contém uma dimensão apostólica, ultrapassando espontaneamente todas as fronteiras, pois o Evangelho também não reconhece fronteira alguma”(Mattli 1978, 10).

Como já dissemos, antes do Vaticano II, o conceito “missão” era aplicado – numa visão estreita – unicamente à atividade além-mar. Em conseqüência, as duas realidades, a da  missão e a da província-mãe (3), ficaram totalmente separadas e eram tratadas de modo diferente. Para os missionários, havia um “estatuto das missões”, contendo regras específicas e concedendo certas isenções da vida comum ordinária. Nas Constituições dos Capuchinhos, por exemplo, válidas para todos os irmãos, falava-se de missões somente no 12º capítulo, e com poucas palavras.

Na Igreja pré-conciliar, paralelamente, a missão era um assunto reservado aos missionários individualmente e não dizia respeito à Igreja do país de origem. Neste ponto, o Concílio Vaticano 2º trouxe uma mudança significativa. Definiu que a Igreja, como um todo, é missionária por natureza (Ad Gentes 2, Lúmen Gentium 1).

Essa convicção do Concílio resultou na elaboração de um Decreto especial para as missões, afirmando a definição missionária fundamental no documento principal sobre a Constituição da Igreja (Lúmen Gentium). Daqui por diante, ninguém mais pode dizer que o assunto das missões não lhe diz respeito. Em conseqüência, os capuchinhos suprimiram até o seu Estatuto de Missões, transferindo todas as referências ao assunto para as Constituições, fazendo-as valer para todos os membros da Ordem.

(Texto do Curso do Carisma Franciscano, publicado pela FFB)

Fonte Internet: http://www.franciscanos.org.br/?page_id=6711

Deixe sua mensagem para nós: