Comungar a hóstia consagrada talvez seja um dos atos mais profundos e significativos da vida de cada ser humano. O dia da primeira comunhão de Santa Terezinha do menino Jesus foi chamado por ela mesma de “mais belo de todos os dias”, e o ato de comungar como o “primeiro beijo de Jesus em minha alma”. Como naquele tempo não era permitida a comunhão diária, ela ficou aguardando ansiosamente “pelo momento em que poderia recebê-lo pela segunda vez”. Hoje em dia continuamos esperando Jesus dessa maneira? Como podemos fazer para recebê-lo melhor?

O Papa Francisco nos disse em sua homilia de Corpus Christi que “A Eucaristia não é um prêmio para os bons, mas a força para os débeis e os pecadores”. Isso significa que não nos aproximamos para receber Jesus porque nos sentimos bons, ou porque pensamos que somos puros o suficiente para aproximar-nos dele. A nossa relação com Deus é sempre de buscadores da reconciliação, que só Ele pode dar. Temos fome do Pão do Céu, único alimento que pode saciar de verdade a nossa fome de infinito, e Jesus é esse Pão. Por isso é preciso muita humildade para acercar-nos para receber a Eucaristia.

Mas isso não quer dizer que podemos comungar de qualquer maneira, sem nenhuma preparação e em pecado mortal. Quando estamos conscientes de estar longe de Deus por nosso pecado e queremos voltar a comunhão com Jesus, Ele nos deixou o melhor meio para isso que é o sacramento da confissão. É importante entender a confissão não como um castigo de Deus porque somos maus, mas como a maneira de voltar a comungar com Ele.

E na verdade, a confissão não tem nada de estranho quando sabemos que no sacerdote é Jesus quem perdoa os pecados. A parábola do filho pródigo ou também chamada do Pai amoroso mostra isso de maneira muito clara. Quando o filho entra em si mesmo e percebe o mal que tinha feito, se arrepende e volta para os braços do pai. Quando ele chega perto de casa, o pai vem ao seu encontro e a primeira reação do filho é confessar os seus pecados, mostrando o arrependimento. O pai nem deixa ele terminar e o abraça, o reveste e faz uma festa para receber seu filho que estava morto e voltou a vida.

Claro está que o fim é a festa, a comunhão e a reconciliação do Pai com o filho, mas ela só acontece depois desse breve, mas significativo, encontro entre os dois do lado de fora da casa. Com esse encontro o filho recebe novamente a dignidade que pensou que tinha perdido (Ele pensava que já não era digno de ser chamado filho e queria trabalhar como um dos empregados), seu coração se prepara novamente para poder festejar com seu pai. Seria muito estranho que o filho tentasse chegar a essa festa “pulando pela janela”.

Quando nos afastamos de Deus e nos arrependemos, voltamos correndo para seus braços também. E na confissão eu imagino que Deus esteja tão feliz de ver-nos que quer que ela termine logo para poder nos abraçar e “tirar o tempo perdido” de quando estávamos longe dele. Quando saímos da confissão não deixamos de ser pecadores, mas somos pecadores sem pecado e por isso podemos estar em comunhão com Deus e precisamos continuar em comunhão com Ele para que nunca nos falte a força para sermos verdadeiros filhos e filhas de Deus.

Por Irmão João Antonio Johas Leão

Fonte Internet: http://www.a12.com/

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