O canto e a música, que expressam a alma de um povo, ocupam um lugar privilegiado na liturgia, tendo como finalidade última  a glorificação de Deus e a santificação dos fiéis.

Por isso mesmo, os cantos devem ser escolhidos segundo critérios básicos, tendo alguns cuidados especiais, uma vez que a música deve estar em íntima ligação com a liturgia, pois dela depende e a ela serve. Entre outros critérios e princípios fundamentais, estão os seguintes:

 “É desejo ardente da mãe Igreja que todos os fiéis cheguem àquela plena, consciente e ativa participação na celebração litúrgica…”

1) A participação unânime dos fiéis – Os documentos nos falam de uma participação ativa, frutuosa, plena e consciente. Por isso, os músicos e cantores devem se empenhar para favorecer a participação interna e externa de toda a assembleia no canto, levando em conta a cultura, a realidade, o jeito de ser e viver da comunidade. A este respeito diz o documento Sacrosanctum Concilium, sobre a renovação litúrgica: “É desejo ardente da mãe Igreja que todos os fiéis cheguem àquela plena, consciente e ativa participação na celebração litúrgica que a própria natureza da liturgia exige e à qual o povo cristão, “raça escolhida, sacerdócio real, nação santa, povo adquirido “(1Pd 2,9), tem direito e obrigação, por força do batismo. Portanto, a assembleia tem a primazia,  devendo ser incentivadas as aclamações do povo, as respostas, os refrãos, a salmodia, as antífonas, os cantos e hinos.

2) O caráter de serviço, de função ministerial da música, como “humilde, mas nobre serva” da liturgia, a serviço da Palavra, do rito, do tempo litúrgico e do mistério celebrado. A música deve ser “um sinal sagrado”, verdadeiro sacramento da ação de Cristo na celebração, música santa para uma liturgia santa, expressando mais suavemente a oração, favorecendo a unidade das vozes e corações, e enriquecendo de maior solenidade os ritos sagrados, no dizer da Constituição sobre a Liturgia, em seu número 112. Portanto, a música não é autônoma, independente, mas subordinada à Liturgia, estando a serviço e em função da Palavra.

 …que a melodia tenha nossa riqueza musical, nosso ritmo, nossa cultura popular, traduzindo a alma do povo;

3) A beleza expressiva da oração – não se leve em conta somente a arte pela arte, mas que a melodia tenha nossa riqueza musical, nosso ritmo, nossa cultura popular, traduzindo a alma do povo; e o texto tenha beleza poética,  buscando sua inspiração nas fontes bíblicas e litúrgicas, conforme a SC 121: “Os textos destinados ao canto sacro devem estar em harmonia com a doutrina católica, sendo extraídos de preferência da Sagrada Escritura e das fontes litúrgicas.”

4) O caráter solene da Celebração – O canto e a música sempre geram festa onde estão presentes. Diz o documento “Musicam Sacram” (Ms 16): “Nada mais festivo e mais grato nas celebrações sagradas do que uma assembleia que, em seu todo, expressa sua fé e sua piedade por meio do canto”.

Frei Joaquim Fonseca, assessor nacional de Música litúrgica na CNBB, em seu livro “O Canto Novo da Nação do Divino” (Edições Paulinas), assim resume estes critérios:

a) O texto seja tirado da Santa Escritura ou inspirado nela e nas fontes litúrgicas.

b) Que o letrista seja de fato um poeta e conheça a função ministerial da Música Ritual na liturgia.

c) Que se evite na liturgia o uso de melodias importadas e textos adaptados.

d) Que se conheça o tipo de celebração na qual a música será executada.

e) Levem-se em conta as características da assembleia: crianças, jovens, adultos, da cidade ou do interior, operários, profissionais liberais.

f) O tempo do ano litúrgico em que celebramos.

g) A beleza estética na linguagem musical e verbal.

h) O jeito da cultura do povo local, da comunidade celebrante.

A formação musical e litúrgica dos músicos e cantores, bem como sua vivência cristã, é de suma importância, para poderem exercer bem o seu ministério e servir a comunidade com competência, humildade e perseverança!

Música e canto para a glória de Deus e a santificação dos irmãos!

*Ir. Miria Kolling é Religiosa da Congregação do Imaculado Coração de Maria, compositora da música litúrgica e religiosa, musicista, pedagoga, gravou mais de 30 trabalhos em LPs e CDs, como também livros sobre canto e liturgia.

Fonte: http://www.irmamiria.com.br

Acesse também:

Qual a importância e a função da música na liturgia

A importância da música na Igreja

O que é ser um músico católico?

Deixe sua mensagem para nós: