“Deixa que o amor de Deus te transforme foi o tema da pregação do monsenhor Jonas no retiro mundial dos sacerdotes

monsenhor-jonas-abib_pregacao-retiro-mundial-dos-sacerdotesO fundador da Comunidade Canção Nova, Monsenhor Jonas Abib, fez uma pregação na sexta-feira, 12/06/15, no retiro mundial de sacerdotes, em Roma. O tema da pregação foi ‘Deixa que o amor de Deus te transforme’.

O monsenhor contou que recebeu esse tema com alegria porque ele mesmo é uma pessoa transformada pelo amor de Deus. “Eu já completei, graças a Deus, 50 anos de sacerdócio no dia 8 de dezembro e não trocaria nada por esses 50 anos. Eu realmente começaria tudo de novo como se fosse hoje o dia da minha ordenação”.

Aos sacerdotes do mundo inteiro reunidos em Roma, monsenhor deixou uma mensagem de gratidão a Deus pelo ministério de cada um. “Nós damos graças Àquele que chamou você e lhe deu forças, Jesus Cristo nosso Senhor, porque julgou você digno de confiança e o chamou para o seu ministério”.

Ainda hoje, haverá um momento muito aguardado pelos sacerdotes: a participação do Papa Francisco. Logo mais, o Santo Padre fará uma reflexão sobre o tema “Transformados a partir do amor e pelo amor”. Ele também celebrará a Santa Missa com o envio missionário dos participantes.

O retiro mundial dos sacerdotes começou na quarta-feira, 10, e termina neste domingo, 14, com a Missa de encerramento presidida pelo Cardeal Agostino Vallini.

Confira, a seguir, um breve resumo da pregação do Monsenhor Jonas, uma pequena transcrição feita pelo seminarista Rogério Viana, da Comunidade Canção Nova:

Tema: “Deixe o amor de Deus transformar-vos”

Deixe o amor de Deus transformar você.
Ele quer fazer nesta manhã, Deus quer.
Ele está vindo sobre nós como um guarda chuva…

Já comecemos rezando assim:
Transforma-me, Senhor.
Dai-me a graça da transformação, de ser transformado!

Sou uma pessoa transformada pelo amor de Deus.

São 50 anos de sacerdócio vividos. E, olhando para trás faria tudo outra vez.

Quando completei meus 50 anos Deus me deu esta palavra:
“Dou graças àquele que me deu forças, Jesus Cristo, nosso Senhor, porque me julgou digno de confiança e me chamou ao ministério.” (1Tm 1,12)
Esta foi uma renovação para daqui para frente.

Testemunho dado pelo Monsenhor:

Sobre a doença no tempo da teologia

– vários médicos; de clínico geral a especialistas;
– os superiores me mandaram para o seminário menor;
– fui trabalhar na terra;
– Dr. Vanderley cuidou muito bem de mim; me dava remédios e não tinha efeito
– a superiora veio me dizer que estava iniciando uma “Mariapoles” (era a primeira em São Paulo)
– Estando na casa da filosofia, eles me desanimaram e pela parte da manhã não fui, porque eles disseram que eles ficavam cantando e dando testemunho.
Mas existia algo dentro de mim que me mandava ir.

Um certo momento de minha experiência abri a Bíblia e caiu Mt 16,15 e senti como Jesus perguntando a mim “Jonas, e vós quem dizeis que eu sou?”

No chão de joelhos, não entendia, mas eu compreendi logo, era meu encontro pessoal com Jesus.

Continuei a Mariapoles e existia um ímpeto dentro de mim.

Estava angustiado e não tinha respostas de Deus.

Estava nervoso, estava difícil aceitar aquela situação que vivia, mas Jesus perguntava:
E, vós, quem dizeis que eu sou.

Eu fui ao meu superior e já pensava que ele não iria me deixar ordenar.
E, para minha surpresa ele me disse que se eu passasse nos exames eu iria ser ordenado.

Fui estudar e as dores de cabeça continuavam, as vistas embaralhadas, mas fui estudar. Dediquei com afinco.
E fui fazer as provas. E, eram como aqui na Europa, porque não conseguia enxergar direito.
Passei!

Isso era no final de novembro e a Ordenação estava marcada para no dia 08 de dezembro.

Ali, naquela experiência, aconteceu o primeiro encontro pessoal com Jesus.

Estava experimentando as mudanças em minha vida.
E, tive que arrumar tudo muito rápido; paramentos, convites, cálices.

No dia 08 de dezembro de 1964.
Éramos 17 jovens a se ordenar neste dia.

Digo uma coisa:
É muito importante que os sacerdotes tenham O encontro pessoal com Jesus.

O que o Senhor mais quer para nós é que tenhamos o encontro pessoal com Ele.

As situações de pecado em sua vida é porque não tiveram O encontro pessoal com Cristo.

Oração:
Se não tiveram, não é por má vontade. E, se tiveram, renove-os, Senhor, para que tenham uma verdadeira parresia.
Eu vos peço, Senhor.
Dai-me esta graça, Senhor.

Continuando…
Passaram-se os anos e entrei num trabalho muito lindo.

Comecei a trabalhar com jovens.
Em 1965, 1966 comecei a celebrar Missas com os jovens. E, depois tínhamos a reunião.
Como era músico, ia para o piano e cantava com os jovens.
Tinha muito conteúdo, sobretudo o Evangelho.

Naquele tempo, isso era desconhecido no Brasil.
Não tínhamos a Bíblia na mão, e eu preparava o material para a eles viverem aquilo durante a semana e os Jovens falavam como viveram aquele Evangelho, aquele conteúdo durante a semana.

Decidi fazer encontros com aqueles jovens, orações, celebrações, Missa, cantos.
Os jovens se confessavam e éramos apenas 2 padres confessando aos jovens. Tanto é que fomos madrugada adentro atendendo os jovens em confusão.

O que foi este encontro para você? Eu perguntava!
Eles respondiam que foi um verdadeiro encontro pessoal com Jesus, tive uma trombada com Jesus Cristo.
Se esta expressão não fica clara por causa da quantidade de línguas aqui presente, pois bem, “trombada” é o que acontece quando um carro bate de frente com outro.
E, os jovens quiseram, eles vinham até nós.

Fui mandado para o sanatório.
E lá 80% eram jovens.
Passava nos quartos para gerar amizade com os jovens. E percebi que eles desejavam algo a mais.

Atendi muitos em confissão e tinham pecados cabeludos antes de estarem ali, mas procurei ser amigo deles.

Aqueles jovens queriam algo a mais. Nós, pensando o que iríamos dar aos jovens e chegando o Natal, eles pediram Missa.
E, eu pensando em celebrar às 20h, porque eram tuberculosos, mas eles pediram para ser às 0h.
Todos cantavam e suas vozes ecoavam pelos corredores.
Daí pensei em organizar um encontro de jovens para aqueles tuberculosos.

E, os dirigentes vieram para aplicar o encontro.
Era sozinho para atender a confissão.
Via na fisionomia e o coração daqueles jovens, havia uma alegria nova.

Eram 50 a 60 rapazes que no final disseram que tiveram um encontro pessoal com Jesus.

Aconteceu que estando no sanatório o médico aconselhou que meu superior me retirasse do sanatório, se quisesse que eu me recuperasse.
Porque no sanatório eu tinha meu apostolado e não descansava.

Doeu demais, porque eu tinha meu apostolado…

Cresceu em mim um grande ressentimento, uma mágoa, uma revolta contra meus superiores. Eu estava ressentido, estava magoado, revoltado.

Eu que tinha tido o encontro pessoal com Jesus, mas não rezava mais. Mal e mal eu rezava o Ofício divino. E, não rezava!

Você imagine, um padre que não reza!?

Mas, eu tive um propósito, todas as noites, antes de dormir…
Vinde Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis… Às vezes era a única oração que eu rezava…

Pouco a pouco fui me aproximando e percebi que aquele determinado grupo de jovens era sem atividade, sem ação.

Convidei o padre Irineu Danelon, que hoje é bispo.

Ele começou a mostrar a presença e ação do Espírito Santo na vida dos Apóstolos, da missão.

Parece que saltavam para os meus olhos. E, passei a ver as passagens que mostravam a ação do Espírito Santo na Igreja.
Rezando na capela síi, tivemos intervalo e depois Missa. Terminada a Missa os jovens foram embora e tocou o telefone… Era um padre redentorista pedindo duas vagas para participarem de um encontro com o padre Haroldo Hans, com as experiências de oração com o Espírito Santo.

Este encontro aqui… Vou participar deste encontro.
Mas o superior disse que iria precisar celebrar Missa nas redondezas. Era dia 02 de novembro.

Toda a expectativa foi frustrada. Fui para o quarto pois estava abatido, revoltado, porque não poderia participar.

Mas, graças a Deus eu rezava o “Vinde Espírito Santo”, ali aos pés da cama. E rezava, decidi obedecer.
Passei a noite toda dormindo. E, ao me preparar para sair fui interpelado para conversar um pouco.

Quando começaram as atividades o meu superior mandou-me participar.
Ele disse que não fazia mal. Para eu participar
Entrei para participar.

No final teve Missa e Padre Haroldo se ofereceu impor as mãos sobre nós. E, contou o que Deus estava fazendo na Igreja por meio do Batismo do Espírito Santo.

Ele falou dos dons e de como estava acontecendo na Igreja hoje as suas manifestações; oração em línguas, curas, milagres, profecias.

Ele então impôs as mãos sobre nós. Ele passou ali impondo a mão e desejei de todo coração receber o Espírito Santo.

Quando ele impôs as mãos não aconteceu nada.

Sozinho, cantando nos pátios do colégio, comecei a rezar e a oração fluía dentro de mim. Tinha prazer, tinha satisfação. Segui rezando. E, rezei até de madrugada. E, só fui dormir porque tinha trabalhos no colégio no dia seguinte.

Na manhã, pareceu que as árvores tinham sido lavadas, os prédios também.
Claro, as coisas estavam do mesmo jeito, mas meu interior estava diferente.
Esta foi a grande graça para minha vida.

O Senhor queria derramar mais, muito além.
Hoje é diferente, já no Batismo do Espírito Santo ele nos proporciona o encontro pessoal com Jesus Cristo.

A minha oração pessoal mudou!
Rezava o breviário com unção.

Depois, até mesmo quando preparava minha pregação, era com unção, com gosto.
A minha confissão tinha mais qualidade. Um arrependimento muito grande pelos meus pecados. E, ia para Aparecida me confessar.

Eu constato:
Eu ainda não era o homem que Deus queria que eu fosse, mas eu reconhecia já não era mais o mesmo.

O meu lema sacerdotal: “Feito tudo para todos” e com a graça de Deus pude fazer muito mais.
Eu peguei aquela passagem de Paulo… E assim eu queria fazer.

Eu fazia igual o padre Haroldo viajando pelo Brasil pregando…

Eu tinha um propósito!
Tinha um pastor pentecostal chamado “Mister Pentecostes” (que viajava pelo país – na África – impondo as mãos e rezando pelo batismo do Espírito)
Eu me tornei no Brasil um “Mister Pentecostes” e pregava sempre (independente do tema) sobre o batismo do Espírito para 100.000 a 120.000 pessoas. E, orava por elas.

E, ali pregava o batismo e orava pedindo o batismo do Espírito Santo.

Eu ergo a minha palma e peço a Deus a graça de continuar pregando e orando sobre o batismo do Espírito Santo.

Eu reconheço, não é o padre Jonas, mas é uma graça derramada de Deus para quem quer receber.

Oração: que cada um dos meus irmãos que aqui estão recebam o Espírito Santo, até mesmo os bispos, com todo respeito, que receberam o vosso Espírito Santo na Ordenação Episcopal.
Peço que venha afervorar os vossos dons; a partir do menor, a partir do mais simples: das línguas até os maiores, da profecia, da cura, dos milagres.
Uma unção totalmente nova.

Oração em línguas…

Fonte: Canção Nova

Assista abaixo ao testemunho vocacional de Dom Altieri sobre Monsenhor Jonas Abib

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