A presença de Maria na Sagrada escritura vai para muito além dos relatos evangélicos da anunciação, encarnação e nascimento do Senhor Jesus.

Embora Maria esteja presente nos evangelhos de uma maneira mais direta, como uma das protagonistas principais dos episódios que envolvem o mistério da salvação da humanidade, encontramos menção à Mãe de Deus em vários outros livros da bíblia, porém os evangelhos são por excelência a boa notícia de nossa redenção em Jesus Cristo mediante a grande obra de salvação que se realizou em Maria: “O todo-Poderoso fez em mim maravilhas: seu nome é Santo.” (Lc1, 50). Já no antigo testamento, nos textos messiânicos, encontramos a referência a uma virgem que ocuparia uma missão fundamental quando da vinda do messias. Isaías, o maior de todos os profetas messiânicos assim se refere a cerca da vinda do filho de Deus: “Pois saibam que Javé lhes dará um sinal: A jovem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará pelo nome de Emanuel.” (ls7, 14). Isto quer dizer, antes mesmo de Jesus vir ao mundo já havia no povo de Deus do antigo testamento a expectativa de que o Messias viria de uma viagem, revelação essa que se completaria na maternidade de Maria conforme lemos nos evangelhos.No livro de Gênesis, está presente o diálogo de Javé com a serpente, responsável pela entrada do pecado na criação de Deus. Assim se refere Javé para com a serpente, que é símbolo do pecado e da morte: “Eu porei inimizade entre você e a Mulher, entre a descendência de você e a descendência dela. Estes vão lhe esmagar a cabeça, e você ferirá o calcanhar deles.” (Gn3,15). santorosarioEssa contraposição da mulher e a serpente aparece no primeiro e no último livro da bíblia, lemos no Apocalipse: “Apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida de sol, tendo a lua debaixo dos pés, e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas. Estava grávida e gritava, entre as dores do parto, atormentada para dar à luz.” (Ap13, 1-2). Nessa ocasião aconteceu o confronto já prenunciado no Gênesis, a Mulher se depara com um dragão. “Esse dragão é a antiga Serpente.” (Ap13, 9ª). Maria esteve unida tão unida à obra de redenção que colaborou decisivamente para que o maligno, o pecado e a morte fossem afastados definitivamente da terra. “O Dragão foi expulso, e os anjos do Dragão foram expulsos com ele.” (Ap13,9b). Essa mulher de que fala o apocalipse é a Maria, a Mãe de Jesus e Mãe dos discípulos de Jesus (Jô,25-27), é também Mãe do povo de Deus da nova aliança, as doze estrelas simbolizam os doze apóstolos, e a universalidade da salvação.

Nos evangelhos Maria é sempre chamada de a Mãe de Jesus, e a primeira a assim se referir é Isabel no episódio da visitação. “Você é bendita, entre as mulheres, e bendito é o fruto do seu ventre! Como posso merecer que a mãe do meu senhor venha me visitar?” (LC1, 42). São Paulo na carta aos Gálatas também fala da Mãe de Jesus: “Quando, porém, chegou a plenitude do tempo, Deus enviou o seu filho. Ele nasceu de uma mulher.” (Gi 4,4). O evangelho de Lucas dá especial atenção ao nome de Maria. “E o nome da Virgem era Maria.” (Lc1,27b). O nome de Maria também é expressão do ministério que envolve sua vida. Maria, Myriam segundo a língua hebraica, quer dizer “amada de Deus”, “escolhida por Deus”.

Maria encontra-se na bíblia sempre relacionada com Jesus, seja no antigo ou no novo testamento, ela está de alguma forma unida a Jesus. No antigo testamento está presente simbolicamente no relato da criação na figura da mulher, que depois no novo testamento se deparará com o dragão. Nos textos messiânicos da bíblia há a alusão a Maria, às vezes implícita, mas a idéia de sua maternidade está sempre subentendida. Por fim, no novo testamento, no seio de Maria, se completa a revelação na vinda do Senhor Jesus.

Autor: Pe. Carlos Alberto Chiquim

Fonte Internet: http://www.paroquiamedalha.com.br/

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