“Quando entrar setembro e a Boa Nova andar nos campos…” (Beto Guedes). Setembro chegou, e o sol de setembro, e a Boa Nova anda nos campos. Toda vez que setembro desponta, traz os ipês amarelos, e os ipês floridos me levam a pensar na condição humana. O que faz um ipê durante o ano inteiro? A princípio, nada. Trata-se de uma árvore que nem tem senão uma beleza qualquer. Acontece que durante o ano inteiro o ipê se prepara só para quando setembro chegar. Em cada dia do ano, ele gesta as flores.

Primeiro os galhos se alongam, as folhas mudam de cor, depois elas caem e a árvore fica inteiramente nua. Aí as flores brotam, aos jorros, douradas, brilhando ao sol, num fundo de céu azul, absolutamente lindas. Duram pouco, é verdade, nem um mês, e já se vão. E o ipê retoma o estado de árvore comum. E assim passará outro ano inteiro, à espera que outra primavera volte e, com ela, outra oportunidade para se revelar quem realmente é.
Somos assim. Somos árvores comuns, e passamos pela vida inteira à espera que nossa primavera chegue. Para que ela chegue, precisamos alongar nossos braços na direção de quem precise de nós. Depois, precisamos perder a cor tão estimada de nossas folhas. Depois, precisamos passar pela dolorosa perda das próprias folhas. Só, então, de braços e alma nus, enfrentando-nos como somos, sem pressa nem ostentação de mostrar falsas aparências, só então, virão nossas flores douradas, banhadas do sol e do azul que a vida reserva para quem não tiver medo de se enfrentar e esperar.

Setembro é também o mês da Bíblia. E a Bíblia é uma plantação de ipês, homens e mulheres simples, quase comuns, que um dia, à força de escutarem uma voz distante, que passa a falar dentro deles, romperam suas cascas, alongaram suas vidas, perderam suas folhas, e despontaram como árvores únicas, de beleza sem igual. Abraão, Sara, Isaac, Jacó, José, Moisés, Josué, Débora, Davi, Elias, Judite, Rute, Isaias, Lídia, Pedro e João, as Marias, de Magdala e de Nazaré, e Jesus.

Em setembro, vamos acompanhar a incrível história desses homens e mulheres que viveram e construíram o projeto de Deus no terreno das próprias vidas. Nossas vidas também estão todas lá. A Bíblia não foi escrita para nós. Foi escrita a partir de nós – ela é a nossa história. Estamos lá. Encontrar é reencontrar-se. Quando você abre a Bíblia é o álbum da sua família que você abre.

Dom José Francisco Rezende Dias
Arcebispo de Niterói (RJ)

Fonte Internet: http://www.cnbb.org.br/

Sol de Primavera
Beto Guedes

Quando entrar setembro
E a Boa Nova andar nos campos
Quero ver brotar o perdão
Onde a gente plantou
Juntos outra vez

Já sonhamos juntos
Semeando as canções no vento
Quero ver crescer nossa voz
No que falta sonhar

Já choramos muito
Muitos se perderam no caminho
Mesmo assim não custa inventar
Uma nova canção
Que venha nos trazer
Sol de primavera
Abre as janelas do meu peito
A lição sabemos de cor
Só nos resta aprender

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