I. Círculos Bíblicos, que novidade é esta?
Um burburinho no ar! Um escarcéu de Hebreus em pleno Século XXI! Grupos de oração ou de reflexão? Não, sim, como? Reunem-se em círculos! Que círculos? Círculos do Sol, da Lua? Não, nada de astros! É o povo humilde de Deus que se vai ajuntando em torno da sua Palavra, ouvindo e comentando, com simplicidade e muita sabedoria a Boa Nova que o Cristo Encarnou na humanidade sedenta e faminta de Liberdade, Justiça e Paz.
Esta nova geração de Hebreus que vem hoje até vocês, formandos, candidatos a Ministros Extraordinários da Palavra para partilhar suas histórias, desafios, caminhos e o compromisso com a Palavra de Deus ofertada à Comunidade, lembrando que:
“O Ministério da Palavra deve merecer um cuidado especial e o compromisso de preparação adequada por parte de todos os que a anunciam, verificando sempre a fidelidade à mensagem, como força que toca e transforma a vida da pessoa e da sociedade.” (PNE2004/7- DOC.72, CNBB.)(…)
A Pastoral Bíblica deseja participar da Formação Bíblica da comunidade na qual está inserida de diversas formas e principalmente por meios de encontros como este. Especialmente por se sentir intrinsecamente unida ao Ministério extraordinário da Palavra como um só apostolado que promove a Palavra de Deus como podemos sentir neste apelo da Pontifícia Comissão Bíblica:
“O Apostolado Bíblico tem como objetivo fazer conhecer a Bíblia como Palavra de Deus e fonte de vida. Ele suscita e sustenta numerosas iniciativas: formação de Grupos Bíblicos, conferências sobre a Bíblia, semanas bíblicas…” (A Interpretação da Bíblia na Igreja. PCB. 134. Abril de 1993).
Como surgiram os Círculos Bíblicos?
Mesmo contemplando o mapa do Brasil em uma folha de A4, salta aos nossos olhos suas dimensões continentais dentro da América do Sul, olhando de cima para baixo, de Norte a Sul, podemos distinguir suas diversidades demográficas, portanto, é impossível precisar que um movimento popular, tenha se originado disso ou daquilo outro com exatidão. E com os Círculos Bíblicos não é diferente, podemos sim levantar suspeitas que em uma determinada região tenha acontecido uma necessidade de um grupo em aprofundar seus conhecimentos da Palavra de Deus, meditando em pequenos grupos de reflexão. Em outra a ausência de ministros ordenados, tenha levado a comunidade a se reunir semanalmente para a escuta da Palavra, acrescendo-lhes a realidade do contexto no qual se encere, e por aí vai.
Na nossa paróquia não foi muito diferente, não. Há várias versões para o surgimento dos nossos Círculos Bíblicos, vejamos as mais confiáveis:
Conta-nos os mais antigos que ao passar a febre das CEB’s, lá pro final da década de oitenta, onde muitas se organizaram em sindicatos, conselhos comunitários e no que hoje chamamos de ONG’s, suprindo politicamente e socialmente seus membros, deixou um espaço vazio no âmbito espiritual, fazendo aparecer pequenos grupos de orações, cujos membros remanescentes das CEB’s, reuniam-se semanalmente para refletir a Palavra de Deus e com Ela iluminar os acontecimentos do cotidiano. Esses grupos estão de pé até hoje principalmente nas periferias e distritos da paróquia e cuja característica principal é as lutas por causas sociais.
Há também quem diga que uma religiosa capuchinha chamada Francisca articulou junto a Ordem Franciscana Secular a formação de grupos para estudo da Palavra de Deus e daí outros grupos como os vicentinos, legionários foram assumindo como atividades missionárias de suas agremiações a formação de círculos bíblicos, além de alguns leigos independentes como o Senhor Valmir Rocha, Zé Vaulino, Edileusa, Doralice Carvalho, Vera Cruz, Raimunda Morel, Leonizia e Raimunda do Ourives entre outros, que tomaram gosto pelo movimento e foram fundando e animando dezenas de grupos, que tem como característica principal a forte devoção as festas religiosas dos padroeiros e cujos nomes servem para batizar os grupos como por exemplo Círculo Bíblico São Marcos, São Pedro, São Paulo e assim vai.
Finalmente vieram as Santas Missões Populares que no seu término animaram aos missionários locais a formarem grupos de reflexão e oração, porém já com as características de Círculos Bíblicos nos moldes atuais, fazendo uma releitura dos acontecimentos à luz da Palavra de Deus, ligando a vida dos participantes aos ensinamentos evangélicos de forma simples e despretenciosa. Contudo, já se notava a necessidade de uma acessoria mais especializada, missão abraçada pelo Senhor Vera Cruz, que coordenou e promoveu uma primeira organização do movimento.
Um Rio com muitos Afluentes
Levando-se em consideração a multiplicidade de vertentes para a formação dos círculos bíblicos, havia uma diversidade muito grande de carismas entre os grupos, cada um tinha uma orientação própria, conforme o seu fundador, se era um movimento franciscano eles estavam mais voltados para a caridade, se eram formados pelos legionários suas atividades estavam voltadas para os terços e as devoções marianas, se eram as CEB’s a coisa era com as terras e ainda existiam aqueles que só liam a Bíblia, faziam um cartaz aqui e ali para apresentar nas missas, saudando a chegada de novo padre, a festa do padroeiro tal e nada mais.
Com a vinda do padre Cláudio, verificou-se a necessidade de criar um único objetivo para o movimento e alinhá-lo ao projeto pastoral da paróquia, levando-se, em conta as diretrizes da ação evangelizadora da Igreja do Brasil, missão confiada a Rosemary Carneiro que incansavelmente reestruturou os grupos, promovendo encontros formativos, retiros e implantando de fato uma coordenação geral, com reuniões mensais congregando todos os grupos existentes que na época alcançou o número de trinta e dois e estabelecendo o primeiro calendário de atividades pastorais.
Atualmente o padre Evaldo elevou o movimento à categoria de Pastoral, com ênfase na catequese de adultos e a coordenação geral mantendo o nível já alcançado promoveu a criação de núcleos ambientais, objetivando o melhoramento das atividades pastorais nas periferias e locais menos assistidos da paróquia, fazendo com que ela esteja em estado de missão permanente.
Estima-se que estejam funcionando hoje na paróquia mais de quarenta grupos, mais só vinte deles estão sob a orientação da coordenação da paróquia de Bom Jesus dos Navegantes e uns doze sob a coordenação da área missionária nossa Senhora de Fátima.
Quem pode Participar?
Toda leiga ou leigo batizado que deseje participar semanalmente dos encontros refletindo a Palavra de Deus, pode participar, basta-lhe boa vontade e amor a Jesus, pois não há necessidade de conhecimentos específicos e científicos da Bíblia, já que os círculos bíblicos são encontros de reflexão comunitário e não cursos de Bíblia. O que se deseja de cada um é o compromisso com a evangelização da comunidade paroquial. Que seja uma pessoa possuída pelo amor as Sagradas Escrituras, disposta a conhecê-la e a vivenciar seus ensinamentos com um espírito de fraternidade, de coletividade, comprometido com as ações da Pastoral.
É muito comum se ouvir: Quem não é casado no religioso pode participar? Não existem restrições por não se tratar de um sacramental mais vamos ouvir o que nos diz a Igreja.
c) Católicos unidos só em matrimônio civil
“82. Difunde-se sempre mais o caso de católicos que, por motivos ideológicos e práticos, preferem contrair só matrimónio civil, rejeitando ou pelo menos adiando o religioso…
…A ação pastoral procurará fazer compreender a necessidade da coerência entre a escolha de um estado de vida e a fé que se professa, e tentará todo o possível para levar tais pessoas a regularizar a sua situação à luz dos princípios cristãos. (FC 82).”
Neste artigo da “Familiaris Consortio” é muito esclarecedor quanto à postura a ser assumida na Pastoral, é a postura de Cristo que não veio para os sadios e sim para os enfermos, nós acolhemos sim estes nossos irmãos e os orientamos a se regularizarem na escolha de um estado de vida coerente a fé que professam. E quando existe impedimento por parte de um dos cônjugues? O mesmo documento no ensina a acolhê-los e exortá-los a ouvir a Palavra de Deus, a frequentar a Missa…, como vemos abaixo:
“Juntamente com o Sínodo exorto vivamente os pastores e a inteira comunidade dos fiéis a ajudar os divorciados, promovendo com caridade solícita que eles não se considerem separados da Igreja, podendo, e melhor devendo, enquanto baptizados, participar na sua vida. Sejam exortados a ouvir a Palavra de Deus, a frequentar o Sacrifício da Missa, a perseverar na oração, a incrementar as obras de caridade e as iniciativas da comunidade em favor da justiça, a educar os filhos na fé cristã, a cultivar o espírito e as obras de penitência para assim implorarem, dia a dia, a graça de Deus. Reze por eles a Igreja, encoraje-os, mostre-se mãe misericordiosa e sustente-os na fé e na esperança.. (FC 84). ”
Portanto, não existem grandes dificuldades em participar da Pastoral Bíblica, apenas disponibilidade e boa vontade no seguimento a Jesus.
Cascalhos no Leito do Rio
Internamente a escassa formação bíblica dos participantes limita a amplitude dos círculos bíblicos. A maioria é composta de pessoas simples com pouca cultura, mais com muita boa vontade de conhecer Jesus através da escuta atenta da palavra de Deus, da partilha fraterna de suas realidades temporais a luz do evangelho.
Externamente existiram ou ainda existem aqui ou ali, algumas restrições aos Círculos Bíblicos por parte de alguns outros movimentos e até mesmo de alguns clérigos por desconhecimento ou medo da sua atuação, o que é totalmente injustificado, dado que não estamos disputando espaço ou concorrendo com terceiros, atrás de clientes, etc. Quando qualquer agente de pastoral aparece muito, corre o risco de o Cristo desaparecer, e o nosso objetivo principal é apresentar Cristo para a comunidade, “PAI… a vida eterna é esta: que eles conheçam a ti, o Deus único e verdadeiro, e aquele que enviaste, Jesus Cristo” (Jo 17,3).
A parte mais sensível dos círculos bíblicos é justamente o tipo de Leitura da Palavra de Deus, dita como interpretação popular da bíblia, o ponto em que os grupos têm dificuldades junto aos clérigos. Sem esquecer as nascentes, às vezes íngremes da qual vieram os círculos bíblicos, do meio de uma gente simples, com muita fé e coragem, mais desprovidas de cultura bíblica, que muitas vezes resultou numa interpretação pouco criteriosa e sem um embasamento teológico dando variados sentidos as reflexões realizadas nos grupos e ainda muitos enveredaram nas leituras fundamentalista, legalista, moralista e ou idealista, principalmente legadas de uma “teologia da libertação” que prega um “Cristo exclusivamente libertador social”, desprovido de tudo mais que caracteriza o Messias Salvador do homem todo e de todo homem. O que dá razão a prudência de certos pastores de acompanhar de perto e advertir possíveis desvios.
Ultimamente a pastoral tem coibido esses excessos, intensificado a formação bíblica catequética em prol de uma evangelização consciente e afinada com a ação missionária, além de estar propondo aos seus membros uma leitura orante da Bíblia, tema que veremos no final desta apresentação.
Como está Organizada?
A coordenação geral é formada por um Coordenador e um/a vice, um/a secretário/a, uma tesoureiro/a e mais três diretores dos núcleos ambientais, orientando os Círculos Bíblicos a que limitem a participação máxima de uma média de doze participantes por grupo sempre com a configuração abaixo relacionada:
De um Coordenador/a (Animador/a)- que prepara as reuniões, estudando antes o texto bíblico, escolhendo os materiais, transmitindo as mensagens da coordenação geral ao grupo e vice-versa, cuidando para manter o grupo sempre harmônico.
Um/a Dirigente – que é o auxiliar imediato do coordenador do grupo, promove a distribuição das tarefas da semana, escolhe os cânticos, mensagens e leitores, a casa do próximo encontro e tudo mais que seja útil para o bom andamento do grupo.
Um/a Anfitrião/ã – que oferece sua residência para as reuniões e faça também o acolhimento dos outros participantes.
Um/a Tesoureiro/a – facultativos aqueles que possuem coletas em dinheiro para as despesas ou promoções humanitárias do grupo.
Os Membros participantes – Colaboradores voluntários que fazem funcionar todo o grupo.
II. Círculos Bíblicos, o que fazem?
A Pastoral Bíblica na esteira de Aparecida tem como carisma o conhecimento profundo e vivencial da Palavra de Deus, educando o povo de Deus na sua leitura, meditação e oração, fundamentando nosso compromisso missionário e toda nossa vida na rocha da Palavra de Deus revelada nas Sagradas Escrituras.
“Faz-se, pois necessário propor aos fiéis a Palavra de Deus como Dom do Pai para o encontro com Jesus Cristo vivo… Essa proposta será mediação de encontro com o senhor se for apresentada a Palavra revelada, contida na Escritura, como fonte de evangelização. Os discipulos de Jesus desejam alimentar-se com o Pão da Palavra: querem chegar à interpretação adequada dos textos bíblicos… Por isso, a importância de uma “Pastoral Bíblica”, entendida como animação bíblica pastoral, que seja escola de interpretação ou conhecimento da Palavra, de comunhão com Jesus ou oração com a Palavra, e de evangelização inculturada ou de proclamação da Palavra. Isso exige, da parte dos bispos, presbíteros, diáconos e ministros leigos da Palavra, uma aproximação à sagrada Escritura que não seja só interlectual e instrumental, mas com coração ‘faminto de ouvir a Palavra do Senhor’” [Am 8,11]. (DA 248).
-Suas atividades
A Pastoral Bíblica é primeiramente missionária, leva a Igreja de Cristo para Igreja da família, por acontecer sempre na casa de um paroquiano e este convida seus vizinhos e conhecidos, pessoas afastadas da comunidade, em quem a fé já esfriou. Cada membro assume sua responsabilidade social-evangelizadora em meio à comunidade local.
“Para nos converter em uma Igreja cheia de ímpeto e audácia evangelizadora, temos que ser de novo evangelizados e fiéis discipulos. Conscientes de nossa responsabilidade pelos batizados que deixaram essa graça de participação no mistério pascal e de incorporação no corpo de Cristo sob uma capa de indiferença e esquecimento, é necessário cuidar do tesouro da religiosidade popular de nossos povos.. e seja sempre novamente evangelizada na fé da igreja e por sua vida sacramental. (DA 549). ”
Além dos encontros semanais realizados por cada Círculo Bíblico nos diversos bairros da cidade, cujo roteiro se verá abaixo, são promovidos encontros de formação bíblica, retiros espirituais, evangelizações, promoção do mês da Bíblia na paróquia, no qual se promove “blitz” divulgando a Pastoral e a Bíblia, semana cultural com gincana e campanha de arrecadação e distribuição de alimentos aos carentes, distribuição gratuita de Bíblias, missões nos núcleos ambientais onde se busca a reabilitação dos católicos afastados.
Roteiros para a Celebração dos Círculos Bíblicos.
Círculo Bíblico sobre (…), referente ao (…) domingo do tempo (…)
1. ACOLHIDA: Receber as pessoas com singeleza e alegria, fazendo com que todos se sintam a vontade, incentivando com jeito (sem imposição) a participação de todos, sobretudo dos novos participantes e visitantes.
2. INICIA-SE: Com a invocação da Ssma. Trindade.
3. ORAÇÃO DO DIA (NOITE): Que pode ser a tradicional oração ao Espírito Santo, “Vinde Espírito Santo, enchei… ou a oração inicial da missa do domingo e ou ainda uma oração espontânea. (tanto rezada como cantada).
4. FALA SENHOR QUE TEU SERVO ESCUTA: É salutar acolher a Palavra de Deus com respeito e alegria, que deve ser invariavelmente o evangelho do domingo anterior ao encontro. Antes da proclamação solene do evangelho, um canto de aclamação e um tempo que possibilite a todos encontrar o texto em suas Bíblias. A leitura deve ser em tom solene e audível a todos, caso haja necessidade refazer a leitura. O dirigente deve dá um tempo para a ruminação da Palavra por todos e em seguida conduzir a reflexão, evitando distorções ao tema e cuidando para que todos participem.
5. PRECES: O dirigente mais uma vez conduz este momento, fazendo com que o texto lido se transforme em oração.
6. OFERTÓRIO: Partilha comunitária. (Não obrigatória! Só os que tem esse costume).
7. ORAÇÃO E ABRAÇO DA PAZ:
8. ORAÇÃO FINAL: Sugerimos a oração do Pai-Nosso, em favor de cada um ou do grupo e uma Ave-Maria na intenção do Bispo, do Padre e da Coordenação da Pastoral.
9. AVISOS: O Compromisso da Semana: O dia, hora e local do próximo encontro, avisos da coordenação ou do núcleo ambiental.
10. DESPEDIDAS: Canto Final.
III. Uma Proposta de Vida.
– De repente uma Represa.
Geralmente represamos a água de um rio como reserva, para cultivar terras áridas e ou para a geração de energia, no caso a Pastoral Bíblica se mobiliza para a evangelização na paróquia, recolhendo-se em Retiros Espirituais Formativos, momento de escuta da “palavra” e diálogo com o Mestre na “oração”.
“A Oração pessoal e comunitária é o lugar onde o discípulo, alimentado pela Palavra e pela Eucaristia, cultiva uma relação de profunda amizade com Jesus Cristo e procura assumir a vontade do Pai. A oração diária é sinal do primado da graça no caminho do discípulo missionário. Por isso, “é necessário aprender a orar, voltando sempre a aprender essa arte dos lábios do Mestre”. (DA 255).
A Igreja no Brasil diz: Cada vez é mais notável a leitura orante da Bíblia e da vida, nos pequenos grupos, “Igrejas Domésticas” (cf. CIC 1655) e estimula esta prática:
“Entre as muitas formas de se aproximar da Sagrada Escritura, existe uma privilegiada, à qual somos todos convidados: a lectio divina ou o exercício de leitura orante da Sagrada Escritura. Com seus quatro momentos (leitura, meditação, oração e contemplação), favorece o encontro pessoal com Jesus Cristo.” Sejam, portanto, incentivadas e reforçadas a prática da leitura pessoal e orante da Bíblia, conforme as orientações do Concílio Vaticano II e, de modo especial, a prática dos círculos bíblicos ou das reuniões de grupo, com a partilha da vivência da Palavra para a edificação mútua, de modo que a Palavra de Deus ilumine a realidade vivida pelos participantes, animando-os e despertando-os para o compromisso evangélico a serviço do Reino de Deus. (63 DGAE 2008/10 – DOC.87, CNBB.).
A Pastoral Bíblica se sente intimada a promover tal prática convidando seus membros a uma leitura mais edificante da Bíblia, com maior espiritualidade, oferecendo o método da “Lectio Divina” ou como se diz a Leitura Orante da Bíblia. Para um melhor aproveitamento deste antigo tesouro sugerimos a escolha de um local relativamente tranqüilo, um horário que lhes seja favorável, sem possíveis interrupções, deixando você relaxado o máximo possível no mínimo uns trinta minutos, o silêncio é o estado no qual mais rapidamente escutamos a Deus; quando estiver preparado e seguro dê os seguintes passos:
† Primeiro Passo: Ler o texto! Ler Novamente e reler várias vezes até entender o que está escrito; saber o significado de cada palavra, uma leitura, feita atentamente e com tempo suficiente; uma leitura apresada, rápida e um tanto superficial deve ser evitada. (leia pequenas partículas do texto).
† Segundo Passo: É assimilar o que se leu no texto, trazendo-o para dentro da própria vida ou de sua comunidade. Se a leitura é o alimento, a meditação, o segundo passo é a “ruminação” desse alimento, é a assimilação do alimento ingerido. (marque o que chamou sua atenção no texto).
† Terceiro Passo: É a nossa resposta a Deus, diante do que foi lido, diante do que Ele no oferece no texto. É a nossa oração: rezar o texto que acabamos de ler tirando dele toda oração possível. (faça um paralelo do texto lido com as situações da sua vida e fale com Deus através da vida e da leitura).
† Quarto Passo: Por fim, o resultado da leitura que fica nos seus olhos o ajudará a apreciar e a saborear melhor as coisas de Deus e da Vida: é a contemplação. (recrie na sua mente a cena do texto, se coloque dentro dela).
† Quinto Passo: A interiorização da Palavra de Deus incutirá atitudes de mudança, de conversão pessoal, na vida particular e na vida da comunidade; passa-se a agir segundo a orientação prática da Palavra lida. (assuma um compromisso de adequação ao texto lido, manifeste as novidades aos seus semelhantes ).
Esse é o método, o caminho óbvio. Que faz a Leitura orante da Palavra de Deus continuar sempre atual até então e está sendo redescoberta como caminho ideal de leitura bíblica, testemunhando-se a sua eficácia divina. Boa leitura a todos!
Em Direção ao Mar.
Essa força da natureza age de forma inquietante, vai tomando as margens, vai crescendo e de repente transpassa os obstáculos, jorra nas comportas gerando energia e vida. Os círculos Bíblicos, espalhados pelo país são um meio eficaz de evangelização, uma forma pedagógica e catequética de se lidar com a Bíblia tendo-se em vista a fala da maioria dos bispos e os inúmeros documentos emitidos pela CNBB em especial as DGAE da Igreja no Brasil, que destacam a importância do investimento na prática dos círculos bíblicos e da reflexão sobre a vida hoje, com o decorrente compromisso cristão; valorizam consequentemente a formação bíblica, inclusive para multiplicar o número de agentes qualificados no serviço de animação bíblica.
“24. Fomentar a Pastoral Bíblica. 29. Fortalecer os Círculos Bíblicos e grupos de Reflexão. (PNE2004/7- DOC.72, CNBB. Art.5.2). ”
A Comissão para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB oferecerá dois subsídios a cada ano na aplicação e concretização do Projeto Nacional de Evangelização.
“Produção de Material para círculos Bíblicos e grupo de reflexão, baseados no evangelho de cada ano. (PNE2004/7- DOC.72, CNBB. Art. 6.d). ”
O Papa João Paulo II, em sua Encíclica, “Redemptoris Missio”, afirma que estes grupos são:
“Como Centros de formação e irradiação missionária. Trata-se de grupos de cristão em nível familiar ou de ambientes restritos, que se encontram para a oração, a leitura da Sagrada Escritura, a catequese, para a partilha dos problemas humanos e eclesiais, em vista do compromisso comum. Eles são um sinal de vitalidade da Igreja, instrumento de formação e evangelização, um ponto de partida válido para uma nova sociedade, fundada na civilização do amor” (RM 51).
E os Círculos Bíblicos vão além, ultrapassando as fronteiras do Catolicismo, várias igrejas cristãs já possuem grupos semelhantes aos nossos, inclusive com os mesmo nomes e finalidades, igrejas luteranas no Brasil entre outras mantém núcleos bem organizados e atuantes, já em Camocim a igreja Batista Regular articula alguns grupos.
Só esperar que as pessoas venham a nós significa empobrecer o espaço da missão. Mesmo entre os que não frequentam a Igreja, há uma grande valorização da Bíblia. Assim, o estudo do Evangelho nas casas ou em outros locais tem condições de incluir gente que não faz parte do grupo dos chamados católicos praticantes, então os círculos bíblicos seriam um grande espaço que possibilita o encontro de mais pessoas com a mensagem cristã.
Que bom seria se toda comunidade eclesial (grupos, pastorais, movimentos e associações) se desenvolvesse à luz dessas sugestões, mesmo que fosse cada grupo a seu jeito! Seria um instrumento ótimo para a construção da tão desejada “pastoral de conjunto”.
Fábio Fontinele de Melo
Coordenador-Geral .



IV. Bibliografia

L.Mosconi – Para uma Leitura Fiel da Bíblia.
C.Buzzetti – 4×1 Um Único Trecho Bíblico e Vários “Fazeres”.
I.I.Valle – Leitura Orante da Bíblia.
João Paulo II – Familiaris Consortio
PCB. Doc. 134 – A Interpretação da Bíblia na Igreja.
CELAM – Texto Conclusivo da V Conferencia de Aparecida (DA).
CELAM – A Missão Continental para uma Igreja Missionária.
PNE – Igreja, Comunidade de Comunidades: Experiências e Avanços CNBB.
PNE2004/7 – Caderno para os animadores de Círculos Bíblicos CNBB.
PNE2004/7 – Doc. 72 CNBB.
DGAE 2008/10 – Doc. 87 CNBB.
Agenda 2009 – caderno 1, Pastoral Bíblica de Camocim.
Projeto de Expansão Pastoral – caderno 2, Pastoral Bíblica de Camocim.
ABC dos Círculos Bíblicos – caderno3, Pastoral Bíblica de Camocim (Fase de Edição).

Fonte Internet: http://cdltiangua.blogspot.com.br/

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